Condições Comuns
Informações claras e confiáveis sobre as condições que mais afetam a saúde pélvica feminina. Entenda o que pode estar acontecendo, reconheça os sintomas e saiba quais tratamentos existem.
Incontinência urinária
O que é?
A incontinência urinária é a perda involuntária de urina — ou seja, quando a urina escapa sem que você consiga controlar. Pode acontecer ao tossir, espirrar, rir, pegar peso ou até mesmo ao caminhar. É uma condição muito comum: estima-se que uma em cada três mulheres acima de 40 anos conviva com algum grau de perda urinária.
Existem diferentes tipos, sendo os mais comuns:
Perda de urina ao fazer esforço físico — tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso. Acontece porque os músculos do assoalho pélvico ou o esfíncter da uretra estão enfraquecidos.
Vontade súbita e intensa de urinar, com perda de urina antes de chegar ao banheiro. A bexiga contrai de forma involuntária.
Combinação dos dois tipos anteriores — tanto ao esforço quanto com urgência. É bastante frequente em mulheres.
Quais são os sintomas?
- Perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer exercícios
- Necessidade urgente e repentina de ir ao banheiro
- Não conseguir segurar a urina ao ouvir barulho de água ou chegar em casa
- Precisar usar absorvente ou protetor por causa das perdas
- Acordar várias vezes à noite para urinar
Quais são as causas?
A incontinência urinária pode ser causada por diversos fatores, muitas vezes combinados: gravidez e partos (especialmente partos normais difíceis), menopausa e queda dos hormônios, obesidade, constipação intestinal crônica, cirurgias pélvicas anteriores, tosse crônica, envelhecimento natural dos tecidos e predisposição genética.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre seus sintomas e um exame físico. O médico pode solicitar um diário miccional (você anota quando e quanto urina durante alguns dias), exame de urina para descartar infecção, e em alguns casos um estudo urodinâmico — um exame que avalia como sua bexiga funciona.
Quais são os tratamentos?
A boa notícia é que existem vários tratamentos eficazes:
Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico. É o tratamento de primeira escolha e melhora cerca de 70% dos casos.
Controlar peso, tratar constipação, evitar excesso de cafeína e adequar a ingestão de líquidos.
Em casos de urgência, medicamentos podem ajudar a relaxar a bexiga. Hormônios locais podem ajudar na menopausa.
Quando o tratamento conservador não é suficiente, existem cirurgias minimamente invasivas com altas taxas de sucesso.
Entenda a incontinência urinária
A Dra. Ana Paula explica o que é, tipos e mitos sobre a incontinência
Bexiga hiperativa
O que é?
A bexiga hiperativa é uma condição em que a bexiga se contrai de forma involuntária, causando uma vontade urgente e incontrolável de urinar. Isso acontece mesmo quando a bexiga não está cheia. É como se a bexiga enviasse "sinais errados" ao cérebro, dizendo que precisa esvaziar quando ainda não precisa. Estima-se que 25% das mulheres acima de 40 anos tenham ou terão sintomas de bexiga hiperativa.
Quais são os sintomas?
- Urgência: vontade súbita e forte de urinar, difícil de adiar
- Frequência aumentada: ir ao banheiro mais de 8 vezes durante o dia
- Noctúria: acordar 2 ou mais vezes à noite para urinar
- Perda de urina: em cerca de metade dos casos, a urgência vem acompanhada de escape
Quais são as causas?
Na maioria das vezes, não existe uma causa única. A bexiga hiperativa pode estar relacionada a alterações nos nervos que controlam a bexiga, enfraquecimento do assoalho pélvico, menopausa, infecções urinárias de repetição, consumo excessivo de cafeína ou álcool, ansiedade e estresse, obesidade e até alterações no intestino.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico — baseado nos seus sintomas. O médico vai perguntar sobre sua rotina urinária e pode pedir um diário miccional (anotar horários e volumes de urina por 1 a 3 dias). Exame de urina é feito para descartar infecção. O estudo urodinâmico geralmente não é necessário, exceto em casos que não melhoram com o tratamento inicial.
Quais são os tratamentos?
O tratamento é feito em etapas, do mais simples ao mais avançado:
Treinamento da bexiga (aumentar gradualmente o intervalo entre idas ao banheiro), reduzir cafeína e bebidas gaseificadas, adequar ingestão de líquidos e exercícios para o assoalho pélvico.
Remédios que ajudam a bexiga a relaxar (anticolinérgicos ou agonistas beta-3). Escolhidos conforme o perfil de cada paciente. Estrogênio vaginal pode ajudar na menopausa.
Para casos que não melhoram: aplicação de toxina botulínica na bexiga, neuromodulação (estimulação elétrica de nervos) ou, em situações extremas, cirurgia.
Saiba mais sobre bexiga hiperativa
O que é, tratamentos e medicamentos
Prolapso de órgãos pélvicos
O que é?
O prolapso de órgãos pélvicos acontece quando os músculos e ligamentos que sustentam os órgãos da pelve (bexiga, útero, reto) se enfraquecem, e esses órgãos "descem" de sua posição normal. Em casos mais avançados, é possível sentir ou até ver um abaulamento na entrada da vagina. Muitas mulheres descrevem como uma sensação de "algo saindo pela vagina" ou um peso na região.
É mais comum do que se imagina — cerca de metade das mulheres que tiveram filhos por parto normal apresentam algum grau de prolapso, embora nem todas tenham sintomas.
Quais são os sintomas?
- Sensação de peso, pressão ou "bola" na vagina
- Abaulamento visível ou palpável na vagina
- Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga ou o intestino
- Dor lombar que piora ao longo do dia e melhora ao deitar
- Desconforto ou dor durante a relação sexual
- Sensação de que algo está "caindo" ao ficar em pé ou caminhar
Quais são as causas?
Os principais fatores de risco são: partos vaginais (especialmente múltiplos ou com bebês grandes), menopausa e queda dos hormônios, envelhecimento, obesidade, constipação crônica com esforço para evacuar, tosse crônica, trabalhos que envolvem levantamento de peso e predisposição genética (histórico familiar).
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo exame físico ginecológico, em que o médico pede para você fazer força enquanto examina a região. Isso permite ver se existe descida dos órgãos e em qual grau. Em geral não são necessários exames de imagem, exceto em casos específicos ou quando se planeja cirurgia.
Quais são os tratamentos?
Casos leves e sem sintomas podem ser apenas acompanhados com orientações de prevenção.
Fortalecimento do assoalho pélvico pode estabilizar ou até melhorar prolapsos leves a moderados.
Dispositivo de silicone colocado na vagina que sustenta os órgãos. Boa opção para quem prefere não operar.
Indicada para casos moderados a graves com sintomas. Existem diversas técnicas, escolhidas conforme cada caso.
Infecção urinária de repetição
O que é?
A infecção do trato urinário (ITU) é uma infecção causada por bactérias que atingem o sistema urinário. A forma mais comum é a cistite (infecção na bexiga). Quando uma mulher tem 3 ou mais episódios em um ano, ou 2 em seis meses, chamamos de infecção urinária de repetição. A bactéria mais frequente é a Escherichia coli, presente naturalmente no intestino.
Quais são os sintomas?
- Ardência ou dor ao urinar
- Vontade frequente de urinar, mas em pequena quantidade
- Urgência para ir ao banheiro
- Dor na parte baixa da barriga
- Urina com cheiro forte ou aspecto turvo
- Em casos mais graves: febre, dor lombar e mal-estar (pode indicar infecção nos rins)
Quais são as causas e fatores de risco?
A anatomia feminina (uretra mais curta e próxima ao ânus) já favorece as infecções. Outros fatores incluem: relação sexual, menopausa (a queda hormonal altera a flora vaginal protetora), uso de diafragma ou espermicida, histórico familiar, constipação intestinal e uso inadequado de antibióticos que altera a flora bacteriana natural.
Como é feito o diagnóstico?
Para um episódio simples, os sintomas já podem ser suficientes para o diagnóstico. Em casos de repetição, o médico vai pedir urocultura (exame que identifica a bactéria e quais antibióticos funcionam contra ela). Exames de imagem como ultrassom podem ser solicitados para investigar se existe alguma alteração anatômica que favoreça as infecções.
Quais são os tratamentos?
O tratamento envolve tratar o episódio agudo e prevenir novos:
Antibióticos de curta duração (3 a 5 dias). A escolha depende da bactéria e da sensibilidade no exame.
Beber bastante água, urinar após relação sexual, higiene da frente para trás, evitar duchas vaginais.
Na menopausa, o estrogênio local restaura a flora vaginal protetora e reduz significativamente as infecções.
Em casos persistentes: antibiótico em dose baixa, imunoestimulantes ou antibiótico pós-relação sexual.
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